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Seguro de vida vira sonho de consumo para baixa renda

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06/11/2017

A secretária Marlene Silvino da Silva recebe pouco mais de um salário mínimo por mês e acredita que é sua obrigação não deixar os pais desamparados, caso algo de grave venha a acontecer. Ela paga menos de R$ 16 por mês por um seguro de vida desde 2008. Aos 33 anos, casada e sem filhos, acha que é justo "recompensar" pai e mãe e garantir um pouco de conforto com R$ 25 mil, valor da indenização. "A gente nunca sabe o que pode acontecer. Conversei com um corretor e resolvi fazer o seguro. Acredito que foi uma decisão acertada", reforça a secretária.

O exemplo de Marlene é cada vez mais comum. Pessoas com baixo poder aquisitivo estão procurando corretoras para fazer seguro de vida, situação que antes não era comum. Quem atesta essa mudança de perfil - é que antes só recorriam a esse serviço quem recebia melhores salários - é o corretor José Lessa. "Essa mudança é substancial. A procura por pessoas de baixo poder aquisitivo tem aumentado nos últimos anos. São pessoas das classes D e E", conta José Lessa.

O aumento da procura aparece nos dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep) que apontam que em maio de 2010 os corretores venderam pouco mais de R$ 126 mil em seguros de vida individual. No mesmo período, neste ano, foram negociados mais de R$ 2,6 milhões em Alagoas.

Atuando há trinta e cinco anos nesse ramo, o corretor de seguros José Lessa, que trabalha com cinco seguradoras, revela que a maioria dos clientes atendidos por ele é profissional liberal. A popularização do seguro de vida é confirmada pelo corretor. Tem gente que faz seguro de R$ 3800, pagando muito pouco por mês, e outros fazem de até R$ 1 milhão e meio, principalmente executivos.

Baixa renda

Edmilson Ribeiro, que integra o Sindicato dos Corretores de Seguros de Alagoas (Sincor), atribui a popularização do seguro de vida entre as classes com menor poder aquisitivo à estabilidade da moeda brasileira. "Todo mundo está procurando mais por conta dos benefícios. Primeiro, as pessoas estão tendo mais informação sobre o seguro e depois tem a questão financeira. Agora se tem maior poder de compra”, explicou Ribeiro.

De acordo com o sindicalista, existem opções de seguros que podem se adequar a qualquer orçamento. Com apenas R$ 5 ou R$ 10 é possível fazer um seguro, pagando esse valor mensalmente e garantir uma indenização de R$ 10 a R$ 15 mil.

O preço do seguro varia e vai aumentado conforme alguns critérios como faixa etária, profissão do segurado, histórico de saúde. Profissões de risco também influenciam na mensalidade. Algumas possuem restrições por parte das seguradoras, a exemplo de policial militar, segurança e vigilante. No caso do motoboy, quase nenhuma seguradora aceita.

Este ano, no Brasil, o aumento da procura nas corretoras por seguro de vida foi de 17 a 20% em relação ao ano passado. Já na última década, o crescimento foi de mais 50%, segundo informou o corretor José Lessa. Os dados são da Federação Nacional dos Corretores de Seguros Privados (Fenacor).

Segurança

Quem faz um seguro pode indicar quem quiser, até mesmo alguém que não seja parente; se não apontar os nomes dos beneficiários, o seguro será pago aos herdeiros legais como cônjuge e filhos. Para quem quer se habilitar a fazer o seguro é preciso responder questionário de saúde e a seguradora tem um prazo médio de 15 dias para decidir se aceita a proposta.

O professor e administrador de empresas Sérgio Accioly, 35 anos, fez seu seguro de vida há cerca de cinco anos. Pouco tempo depois sofreu um acidente de trabalho que o deixou vários dias sem exercer a profissão. Ele diz que não lembra exatamente o valor da indenização, mas reforça que ajudou a pagar as despesas.

Isso aconteceu em 2006, quando o professor dava instruções durante uma consultoria. Um equipamento de cerca de 200 quilos caiu e esmagou parte do pé direito. O dinheiro do seguro ajudou a pagar despesas médicas. "Fiquei um tempo fora do mercado de trabalho. Tinha feito o seguro há pouco tempo", disse Accioly.

"Quando resolvi fazer, pensei primeiro em utilizar como benefício para minha vida. Como administrador, viajo muito e não se sabe o dia de amanhã. Procurei um corretor, me informei e resolvi fazer o seguro", conta Accioly. Ele paga por mês por volta de R$ 130. "O valor da minha indenização pode variar entre 20, 40 mil, dependendo do que possa acontecer comigo”, acrescenta. O professor tem como beneficiários a esposa e os filhos. A decisão de fazer um seguro de vida já foi tomada por vários parentes de Accioly. "Quase toda minha família tem. Vejo como uma medida de prevenção" completou.

Resistência

Apesar do aumento da procura, o corretor Djaildo Almeida lembra que não faz parte da cultura do brasileiro fazer seguro de vida. É muito mais comum o cidadão comprar um veículo e ao sair da loja fazer o seguro do objeto. "O seguro é para a vida, não é para a morte. E é preciso entender que a indenização não vem apenas com o óbito, mas se uma pessoa sofre um acidente, por exemplo, pode perder um membro e vir a precisar de uma ajuda", lembrou Almeida, que tem mais de dez anos de profissão.

Dentre os seguros, o mais popular é o de acidentes pessoais. Este é obrigatório. Com acesso a esse tipo de seguro é mais comum encontrar estagiários contratados por empresas. Ele pode receber cerca de R$ 10 mil por morte acidental ou invalidez.

O corretor Djaildo Almeida lembra que alguns casos popularmente conhecidos como da "viúva negra" acabaram prejudicando a venda do produto. É aquele golpe que encomenda-se a morte de alguém para ficar com a indenização quando se é beneficiário. Almeida diz que nunca registrou casos do tipo, mas há situações registradas em Alagoas. "Vendo de 100 a 150 seguros por mês. Alguns atrativos como premiação por sorteio estão atraindo cada vez mais clientes", lembrou o corretor.

O seguro de vida (como é mais conhecido no mercado) faz parte da classificação de seguros de pessoas. Como exemplos de seguros de pessoas existem ainda o seguro funeral, seguro de acidentes pessoais, seguro educacional, seguro viagem, seguro prestamista, seguro de diária por internação hospitalar, seguro perda de renda, seguro de diária de incapacidade temporária.

Estas modalidades de seguros podem ainda ser conjugadas num único produto, facilitando a contratação pelo segurado. Eles ainda podem ser contratados de forma individual ou coletiva (seguros de vida em grupo).

Ao contratar um seguro, o segurado ou estipulante transfere o risco financeiro para a seguradora, mediante o pagamento de um valor (prêmio) calculado em função do risco assumido. Quanto maior o risco, maior será o prêmio cobrado pela seguradora.[2]

No caso de ocorrência de um risco contratado (sinistro), por exemplo, a morte ou invalidez do segurado, a seguradora realiza o pagamento ao segurado (indenização, também chamada de benefício nos seguros de vida).



Fonte: GAZETAWEB - REGINA CARVALHO




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