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Universal Life é produto para corretor especialista

produto - 01/06/2016

O Universal Life, que está prestes a ser regulamentado pela Susep, tem um imenso potencial, mas o corretor de seguros que decidir investir nesse nicho de mercado terá que “mergulhar em um mundo novo”, ser um especialista e não apenas um profissional que apenas eventualmente comercializa o produto. O alerta foi feito pelo presidente da Centauro-ON, Ricardo Iglesias Teixeira, em palestra proferida no 7º Simpósio Paranaense de Seguros.

Segundo ele, como há mais de 100 milhões de brasileiros sem seguro ou com seguro abaixo do nível ideal, potencialmente existe um mercado equivalente a R$ 20 bilhões para ser explorado pelo universal life, em função das características do produto. “A poupança acumula R$ 1,9 trilhão e não tem canal de venda, além de não ser atrativo para novas gerações. O universal life terá o corretor como um canal exclusivo e especializado. Enxergamos esse potencial como algo que trará um futuro diferenciado para todos nós”, frisou.

Ricardo Iglesias acrescentou que um produto que representa 45% do mercado de vida individual nos Estados Unidos, já deveria ter sido regulamentado há tempos no Brasil. Para ele, a demora fez com que o país perdesse “20 ou 30 anos”, o que traz um prejuízo significativo para o mercado local.

Ele lembrou que uma comissão formada pela FenaPrevi desenvolveu um “projeto brasileiro” para o universal life e entregou para a Susep no início de 2015. A autarquia analisou a proposta e colocou em consulta pública uma minuta de resolução, terminada em março deste ano, que continha 99% da proposta da federação. “Hoje, estamos compasso de espera. A Susep já deveria ter autorizado o lançamento de produtos”, lamentou.

Iglesias observou que a versão brasileira, embora seja bem similar aos produtos comercializados no exterior, traz algumas características únicas, como a cobertura por invalidez. Ele apontou como pontos importantes do produto a flexibilidade, que permite ao segurado utilizar o capital acumulado para pagar parcelas dos prêmios, em caso de necessidade, e até participar dos resultados financeiros; e a portabilidade. Além disso, o carregamento será menor. “AS companhias poderão criar prazos de carência, vinculados aos carregamentos e do formato de portabilidade. É uma realidade muito nossa”, explicou.

Iglesias apontou como desafio a questão tributária. Segundo ele, o mercado já trabalha com a possibilidade de o Governo não ceder nesse ponto, até pelas dificuldades econômicas que o país atravessa. Contudo, há a expectativa de se obter, ao menos, um tratamento diferenciado na incidência do IOF sobre os prêmios. “No futuro, pode ser que o governo dê tratamento especial ao resgate ou ganho de capital”, assinalou.

Fonte: CQCS