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Sócios do IRB resistem à abertura de capital

resseguro - 19/07/2016

Pressionado pela nova equipe econômica para abrir o capital e, assim, gerar caixa para o Tesouro Nacional, o presidente do IRB Brasil Re (antigo Instituto de Resseguros do Brasil), Tarcísio Godoy, quer fazer a abertura de capital (IPO) ainda este ano, mas encontra resistência no conselho da empresa. De acordo com fontes ouvidas pelo GLOBO, os sócios privados argumentam que haveria uma considerável perda de dinheiro se a empresa começasse agora o projeto de lançar ações em Bolsa. Uma decisão será tomada em reunião do Conselho Diretor, marcada para sexta-feira.

– Isso se chama pressão. O governo está pressionando, porque precisa de caixa, mas os bancos só vão apertar o botão de autorização da operação se tiver clima e for vantajoso. E o clima por lá não está nada bom – comentou uma fonte com conhecimento dos bastidores.

Nos bastidores desse IPO, a presidência – ocupada por Tarcísio Godoy, ex-número dois do Ministério da Fazenda – tem criado polêmica. A percepção de pessoas envolvidas no IPO é que a imagem do presidente afeta o lançamento das ações.

As críticas vão desde a falta de conhecimento da operação demonstrada em conversas com investidores até a insistência em abrir o capital do IRB Brasil Re a qualquer preço ainda neste ano.

RECEPÇÃO DOS INVESTIDORES

Segundo uma fonte, os investidores estão exigindo um desconto na faixa de 15% sobre o valor justo da companhia por algum risco aparente. Uma fonte afirma, sob condição de anonimato, que a indicação de Godoy pelo governo para presidir uma empresa privada gerou um problema de governança.

Na semana passada, Godoy esteve em Londres numa reunião com investidores, e, segundo fontes, a recepção não foi das melhores. De acordo com um executivo que acompanha os bastidores, Godoy mantém um discurso de estatal numa empresa privatizada, o que afasta o dinheiro privado.

Godoy defende que o IRB deveria aproveitar uma janela de tranquilidade no mercado financeiro entre setembro e outubro. Já os sócios privados têm dúvidas quanto à pertinência da operação.

A expectativa inicial era conseguir entre R$ 10 bilhões e RS 12 bilhões. Serão vendidos os 17% do IRB que são da União e 6% que são dos fundos de pensão. Isso pode render até R$ 2 bilhões para o governo federal e ajudar a diminuir o déficit da União.

Procurado, o IRB Brasil Re disse que não comenta rumores de mercado. O IRB esclarece, adicionalmente, que tem praticado os mais elevados níveis de governança corporativa e que, portanto, compete aos seus administradores seguirem estritamente as decisões dos acionistas, e que, assim, a eventual realização de uma importante operação como a abertura de capital por meio de oferta inicial pública depende exclusivamente da decisão e do momento em que os acionistas assim entenderem adequado.

Números

ATÉ R$12 BILHÕES – Expectativa inicial de quanto poderia ser levantado com a oferta pública de ações do IRB Brasil Re

17% – É a fatia do governo no instituto que seria colocada à venda. Além disso, também seriam ofertados outros 6% que estão nas mãos dos fundos de pensão

R$ 2 BILHÕES – É a expectativa de quanto a operação poderia render para o governo federal, o que ajudaria a diminuir o déficit da União

Fonte: O Globo